A obra em folhetim, originalmente, que tinha como pretensão audiência, uma espécie de telenovela hemerográfica, "MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILICIAS", escrito por Manuel António de Almeida, é uma amostra, uma cartografia do Brasil. Dito isso, resta a pergunta: Mas em que consiste esta cartografia brasileira? Bom, uma cartografia deve representar um quado, onde tenhamos nele alguns itens que possamos identificar e tirar daí um significado. É essa a impressão que fica ao ler a citada obra. Há claramente uma REPRESENTAÇÃO SOCIAL da cultura brasileira (não toda), mesmo o enredo transcorrido no Rio de Janeiro e no século XIX.
A moldura que move os personagens é uma sociedade: católica, desigual, machista, violenta, malandra, corrupta. Há!, mas só coisas ruins? A conclusão deste que vos escreve é essa. Porém, há uma espécie de culto a isso: Me parece que há uma louvação ao ANTI-HERÓI, no caso em tela o personagem principal, o sargento de Milícia Leonardo. Envolvido na infância por um drama familiar, ver-se abandonado pelo pai e pela mãe. O que lhe salva é a cultura católica do compadrio. A madrinha, a Comadre, é uma verdadeira mãe, cuida, preocupa-se, lhe afaga. O padrinho, o Compadre, lhe educa, ama, sustenta e lhe orienta. Há uma certo determinismo genético: O sargento de Milícia Leonardo está fadado a ser tão como o pai, Leonardo Pataca, vadio, raparigo, um desviante. Ambos assim o são e são salvaguardados pela compadrio: amizades, jeitinhos , gambiarras.
No fim, há uma recompensa: É feliz! Tem um final feliz. Nesse sentido, a trama em torno do sargento de Milícia Leonardo é a cartografia de um Brasil que se mantém vivo até hoje.
Super. Gosto de que como Achovoce se expressa, deixando algo subentendido mas bem claro pra quem subentender. O fato de deixar claro que esse é o seu ponto de vista sobre a obra, deixa o leitor apto e curioso a ler para tirar as próprias conclusões. Continue! Parabéns!
ResponderExcluirbatatinha quando nasce espalha rama pelo chão;
ResponderExcluirvocê quando escreve me enche de emoção
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