Menino de Engenho, de José Lins do Rego, é um romance, do tipo memorialístico, que trata de um período da história do Brasil bem ruim, mas não da ótica do personagem autor, o menino Ricardo. Seu lugar de fala, branco, filho do senhor de engenho, então, legatário de todas as benesses não lhe alienam do mundo de onde fala.
Ao ler o livro citado, fica a sensação de um Brasil tão bom, democrático, cordial. Esse é o tipo ideal que fica em tela, mesmo que em momentos POUCOS mostrem o contrário, que não tem força e apenas traz um pequena contradição, dando mais força real do relato.
O personagem principal Ricardo adverte: "O costume de ver todo dia esta gente na sua degradação me habituava com a sua desgraça. Nunca, menino, tive pena deles. Achava muito natural que vivessem dormindo em chiqueiros, comendo um nada, trabalhando como burros de carga. A minha compreensão da vida fazia-me ver nisto uma obra de Deus. Eles nasceram assim porque Deus quisera, e porque Deus quisera nós éramos brancos e mandávamos neles. Mandávamos também nos bois, nos burros, nos matos" (MENINO DE ENGENHO).
O saudosismo desse Brasil de engenho, escravocrata, não deixa saudade, pelo menos para a maioria que fala da senzala.